
Durante a campanha de 1992, o candidato Bill Clinton produziu vários comerciais biográficos
Clinton era Governador do estado de Arkansas e desafiava o presidente em exercício George Bush. Comparado com Bush, ele era pouco conhecido do resto do país.
Além disso, à medida em que foi se tornando mais conhecido, ao disputar as primárias do Partido Democrata, uma série de revelações comprometedoras a seu respeito vieram à tona. Destas, as duas revelações mais perigosas, que ameaçavam as suas chances de disputar a Presidência eram : a denúncia de relações extra-conjugais e a discutível e duvidosa forma como conseguiu evitar sua convocação para a Guerra do Vietnã.
Na cultura política americana, estas acusações costumam ser politicamente letais. Infidelidade conjugal, num país cuja legislação referente ao divórcio é tão liberal, e no qual a aceitação social da pessoa divorciada é considerada normal, é entendida, pelos americanos, como uma grave falha de caráter, a indicar uma pessoa não confiável.
Encontrar uma forma para evitar a convocação militar para a Guerra põe em dúvida o patriotismo, representa uma "bofetada" na cara de todas as famílias que perderam jovens naquela guerra, e retira do candidato aquela aura de heroísmo, coragem e idealismo, abrindo espaço para a acusação de oportunismo e covardia.
Uma destas acusações já seria o bastante para por em risco uma candidatura à presidência, as duas juntas formavam uma combinação fatal. Em nada ajudava o fato de que o modelo de Clinton era Kennedy (herói de guerra condecorado) e que seu adversário George Bush também lutara na guerra.
Clinton, portanto, necessitava do Comercial Biográfico não apenas para tornar-se mais conhecido, mas para propor uma imagem positiva e imunizar-se dos ataques que sofria. A necessidade de lutar pela imagem era tão grande e decisiva que a campanha de Clinton inovou, ao usá-lo para apresentar a sua biografia, ora na condição de narrador (em off) ora aparecendo na tela, falando diretamente para o eleitor.







