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Tempo de leitura: 5 min 0 seg    Publicado em: 23/Março
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O programa de Fernando Collor sobre os marajás

Expressão "marajás do serviço público" pode ser considerada o início da campanha de Collor à Presidência da República

Mário Sérgio Conti, no livro Notícias do Planalto: a imprensa e Fernando Collor, narra a história do programa da Rede Globo, no qual o ex-presidente pôs em curso a expressão marajás do serviço público, e que pode ser considerado o início de sua campanha à Presidência da República. O programa era o Globo Repórter. Não era, portanto, nem um comercial ou programa eleitoral. O programa de Collor sobre os marajás Mário Sérgio Conti, no livro "Notícias do Planalto: a imprensa e Fernando Collor", narra a história do programa da Rede Globo, no qual Collor pôs em curso a expressão marajás do serviço público, e que pode ser considerado o início de sua campanha à Presidência.


Capa da Revista Veja que mostrava Fernando Collor como o caçador de marajás

O programa era o "Globo Repórter". Não era portanto nem um comercial ou programa eleitoral, como os que são apresentados semanalmente nesta coluna. Embora esta ressalva, o programa foi uma peça de publicidade política modelo.

A imagem é mais forte que o discurso

Em primeiro lugar porque foi intencionalmente buscado. Como descreve Conti, Collor, orientado por Cláudio Humberto, procurou o diretor de jornalismo da TV Globo, Alberico Souza Cruz, e "vendeu" ao executivo da Globo a idéia de fazer-se uma matéria sobre o empreguismo em Alagoas. Em segundo lugar porque a apresentação da matéria: as cenas filmadas, a fala de Collor, os comentários sobre a questão, no seu conjunto, compunham uma peça de publicidade política de Collor.

O fato de ter sido veiculada num ano não eleitoral, 1987, de ter sido produzido por uma rede de TV comercial e não por um candidato no seu programa, em nada afeta esta condição. Para a Globo, era uma matéria jornalística. Para Collor, era uma peça de publicidade. Independentemente das intenções, o resultado foi o mesmo: uma peça publicitária que projetou Collor no cenário nacional e lançou um novo termo na política brasileira: "marajá".

Este episódio ilustra emblematicamente o princípio de que se um político "produz fatos" a mídia repercute, e que é possível usar a mídia para fazer publicidade em seu favor. O programa consistia de 6 reportagens. A de Collor era a terceira, e tinha a duração de 10 minutos.

O programa

Collor, então governador de Alagoas, havia baixado uma portaria determinando que todos os funcionários do estado se apresentassem para o trabalho nas repartições em que estavam lotados.

Segundo a narrativa de Conti:
"Mostraram-se filas de funcionários para bater o ponto. Uma sala com sete telefonistas para atender um telefone. Dezenas de caminhonetes trazendo pessoas vindas do interior para bater o ponto em Maceió. Provocado pelo repórter, um dos funcionários interioranos disse, deitado num colchonete no porta-malas de uma Kombi: "Enquanto não tiver que trabalhar está bom". Sentado à cabeceira de uma comprida mesa no Palácio dos Martírios, Collor contou a Francisco José (repórter) que havia famílias em Alagoas que recebiam do estado "mais que o orçamento de muitos municípios brasileiros". Dito e feito: o reporter mostrou que na folha de pagamentos do estado havia dezenas de funcionários com o sobrenome Suruagy. Somados os salários, a família recebia mensalmente o equivalente a seiscentos salários mínimos.


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