O desespero na política: o suicídio político

Francisco Ferraz
Publicado em: 15/03/2017

Há, ao longo da história política, alguns textos que se tornaram antológicos por se referirem a um sentimento muito forte, muito humano, e muito intensamente sofrido.

A palavra chave é sentimento. São atitudes e documentos cujo objetivo é exteriorizar a dor ou a alegria daquele momento, o orgulho, o arrependimento, o desprezo, o ódio, a revelação e, em casos extremos, o adeus à existência.

O discurso de Príamo às portas de Tróia, chorando a morte do filho Heitor por Aquiles, queixando-se aos deuses que não é justo que o pai enterre o filho, é um marco da cultura ocidental não por sua eventual qualidade literária, mas sim pela perfeita capacidade de expressar o sentimento de dor daquele pai e de todos os pais!

A morte de Sócrates causou uma marca profunda em todos os seus discípulos porque, ao rejeitar qualquer concessão ou acordo, deu o exemplo do sacrifício pessoal de quem levava a coerência intelectual tão a sério que estava disposto a morrer por ela.

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