Os protestos de rua em junho de 2013, e 2014?

Francisco Ferraz
Publicado em: 10/02/2014

Protestos de ruaNão há dúvida de que os protestos de multidões, nas ruas das nossas cidades, foram o fato mais importante da política brasileira no ano de 2013. 

Anuncia-se que em 2014 poderão se repetir, agora mais focados nos protestos com as despesas da Copa. Este é um dos imponderáveis que ameaçam a candidatura – até aqui favorita – da presidente Dilma. Desde os episódios de junho de 2013, é forçoso reconhecer que se implantou no país uma política de ação direta, que se impôs ora confrontando ora revogando na prática, a legislação vigente.

No que respeita a manifestações e protestos tudo passou a ficar em questão: os limites da ação policial, os direitos dos manifestantes, a proteção da propriedade, a paralisação de serviços públicos afetando a vida de milhões de pessoas, o direito de ir e vir, a impunidade consentida

Vastas áreas da vida politica nacional estão entregues à anomia, isto é à ausência, ambiguidade ou conflito de normas para reger o comportamento. Essa é uma situação que corrói o convívio democrático, empurra a política para o “vale tudo”, e ameaça gravemente a consolidação de uma democracia sólida, estável, legitimada e que reage aos desafios à sua autenticidade pelo respeito e obediência às leis.

Qualquer sociedade organizada estabelece seu peculiar equilíbrio entre liberdade e organização. Sociologicamente o máximo de liberdade resulta em mínimo de organização; e o mínimo de organização resulta em o máximo de liberdade.

O máximo de organização significa controle total da liberdade individual. É a ditadura, o autoritarismo, o totalitarismo e, no limite, assemelha-se ao tipo de sociedade dos animais gregários, como as formigas e as abelhas.

Por outro lado, o máximo de liberdade significa a rejeição de qualquer autoridade sobre a vontade individual. É a anarquia, a ausência de ordem legítima, a instabilidade politica e, no limite, a própria impossibilidade da vida social. Qualquer sociedade evita, por todas as formas que consegue, encontrar-se numa situação que a coloca entre essas duas alternativas trágicas.

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Opinião do leitor

Gostaria de dizer que sou velho leitor e admirador de sua revista e de seu trabalho, em prol da cultura política do cidadão.

Francisco Luiz de Oliveira
Porto Alegre - RS

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