Discurso de Olavo Bilac sobre a pátria


Publicado em: 01/06/2013

Neste discurso, realizado no Rio de Janeiro em fevereiro de 1916, em homenagem ao Barão do Rio Branco, por sua obra na negociação das fronteiras definitivas do Brasil, Bilac, famoso por sua oratória patriótica, faz uma das mais clássicas evocações do amor à pátria.


Bilac homenageava o Barão do Rio Branco

Bilac, famoso poeta, jornalista, cronista e conferencista, nasceu em 1865 e faleceu em 1918, tendo escrito, ao longo de sua vida, vários discursos e conferências de grande brilho.

Bilac pertenceu também à Academia Brasileira de Letras. Neste discurso, pode-se apreciar o domínio da técnica oratória, o absoluto comando da língua e a elegância poética do texto.

Nele, Bilac contrasta o traço pacifista da cultura brasileira com o belicismo das nações do velho mundo - "sempre tão dadas a gabar a sua civilização e a notar a nossa imaginária barbaria" -, engajadas nos violentos conflitos da I Guerra Mundial, no ano de 1916.

O texto, como é óbvio, deve ser lido, levando-se em conta o estilo mais elaborado e erudito de uma época muito diferente da atual. Uma época em que a palavra falada de maneira direta, era a principal forma de comunicação entre o orador e o público, e em que o apuro formal do discurso, sua elegância e eloqüência eram uma das mais apreciadas qualidades de um político.

Trechos do discurso

"Felizmente sou chamado a cumprir esta desvanecedora tarefa, quando meu espírito já está longe das irreflexões da juventude, quando já cheguei a uma fase da vida em que as torrentes caudais do entusiasmo podem ser sofreadas e medidas pela razão calma e segura.

Na juventude o patriotismo é brilho, clarão, fervor, explosão natural da alma inocente, amor inconsiderado e espontâneo.

Mas na maturidade, ele é feito de reflexão e certeza, de carinho bem sentido e afeto bem pensado, de gratidão refletida e de amor consciente.

Nesta idade o patriotismo perde, é certo, o ardor, a veemência, o impetuoso entusiasmo do outro; mas, em compensação, alarga-se e aprofunda-se, ganha raízes no sentimento e na inteligência, liberta-se das idéias errôneas, emancipa-se dos preconceitos, cuja felicidade só era disfarçada pela beleza do sentimento a que se agarravam como parasitas, - e lucra em solidez o que perde em vigor."

 

"Eu não amo a minha pátria apenas por haver nascido dentro dos seus limites territoriais; não a amo somente porque a vejo bela e opulenta, estendida à beira do mais lindo dos mares, namorada, do alto do firmamento, pelos astros mais formosos do mais formoso hemisfério celeste: e não a amaria somente pela sua força e pelos seus triunfos, se ela fosse a mais forte das pátrias, e se seus triunfos fossem conquistados pela iniqüidade brutal, exercida sobre a fraqueza das outras.


Bilac, famoso por sua oratória patriótica, fez uma clássica evocação de amor à Pátria

Amo-a porque a conheço; amo-a porque aprendi, pouco a pouco, a amá-la nas suas virtudes, nos seus sofrimentos, até nos seus desvarios momentâneos e nos seus erros passageiros, - e no seu grande, nobre e inalterável desejo de ser pacífica, de seguir o caminho da verdade, de vencer e prosperar pelo trabalho e pela cordura; amo-a porque a sei constituída de uma raça mais triste do que alegre, mais comedida do que ousada, mais tímida do que arrogante, - porém sempre animada de uma suave tolerância e de uma divina bondade, que nunca a deixaria permanecer num erro ou numa injustiça; amo-a quando a vejo empenhada no resgate de erros, perdoando a loucura dos filhos que a magoaram, e banhada de um luar suavíssimo, aliando a energia e a meiguice.

Amo-a quando a vejo, como agora a vi, defender calmamente seu direito, sem as fantarrices que só assentam nos que não confiam na razão da sua causa, sem ferir o direito alheio, ficando tão nobremente misericordiosa e clemente na vitória, como ficaria orgulhosamente resignada na derrota; amo-a quando vejo, como aqui a estou vendo, glorificar o apóstolo da Paz, numa festa realizada em nome da Paz, para a consolidação da Paz, com o concurso brilhante das forças de terra e mar,- justamente no triste momento histórico em que as nações do velho mundo , sempre tão dadas a gabar a sua civilização e a notar a nossa imaginária barbaria, disputam a posse da terra entre os horrores de uma guerra cruenta...

É assim que amo a minha pátria; e foi por isso, Paranhos do Rio Branco, que aceitei a missão de vir saudar-te em seus nomes."

Texto introdutório por Francisco Ferraz

COMPARTILHAR

Área do usuário:

E-mail

Senha

> Esqueci minha senha

> Quero me cadastrar

Curta nossa página no Facebook Siga-nos

Opinião do leitor

Quanto à pesquisa a respeito da qualidade da página, acho-a tão boa que em palestras tenho feito referência, recomendando que as pessoas (prefeitos, vereadores, secretários) a leiam.

François E. J. de Bremaeker
Rio de Janeiro - RJ

Leia mais >>