Comercial de Nixon sobre o crime nas ruas

Francisco Ferraz
Publicado em: 27/11/2015

A publicidade que explora a temática da criminalidade e da violência é uma das mais constantes nas campanhas eleitorais. Por sua natureza a criminalidade, é especialmente adequada para ser publicitariamente tratada na campanha, em razão do forte apelo emocional que desperta. O sentimento de medo de ser vítima de violência, sobretudo nas grandes cidades, é acompanhado pela sensação de desamparo, de dependência absoluta do serviço público encarregado de prover segurança aos cidadãos.

O sentimento de desamparo é, porém, agudizado, pela percepção de que o crime e a violência estão sempre crescendo, que os criminosos estão cada vez mais ousados, melhor equipados, mais organizados, e que a ineficiência dos serviços de segurança preventiva e a vulnerabilidade dos presídios gera nos criminosos a convicção de sua impunidade. Em outras palavras, tem se a impressão que os criminosos operam na convicção de que "o crime compensa".

Este cidadão desamparado multiplica, como pode, os meios de proteção pessoal e familiar (vigilância privada, muros, grades, alarmes, etc) e modifica hábitos (sair à noite, andar em certos bairros da cidade), para reduzir as chances de ser alcançado pela violência. Recorrer a soluções privadas, para resolver problemas que são de responsabilidade pública, é um ato cujo significado político é muito sério e grave. Implica no afrouxamento do vínculo cidadão/governo, debilitando relações importantes para a vida social organizada, como as relações de confiança entre representante eleito e representado, pagamento de impostos e serviços públicos, pondo em risco valores muito caros à democracia.

A sociedade organizada é sempre uma opção pela solução coletiva de alguns problemas individuais recorrentes e cruciais para a nossa vida. Abrimos mão de parcelas de liberdade individual em troca da provisão de bens e serviços que necessitamos, mediante a operação organizada de uma gigantesca trama de relações interdependentes. Assim, uma pessoa pode se dedicar a ser médico, operário, comerciante etc, sem precisar desenvolver habilidades para produzir alimentos, fazer roupas, se autodefender, etc, porque haverá outras pessoas e órgãos que se encarregam destas funções por ele. Quando uma sociedade entra em crise social aguda, esta trama de relações interdependentes entra em colapso, e os indivíduos são forçados a resolver individualmente seus problemas mais banais, ainda que indispensáveis à vida.

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