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O discurso de De Gaulle pela BBC, em 1940.

Francisco Ferraz
Publicado em: 16/06/2017

Em junho de 1940, ainda pouco conhecido, De Gaulle, aos 49 anos, deixou a França depois da invasão alemã e chegou sozinho à Inglaterra. Como general, não dispunha de posição hierárquica necessária para se opor aos marechais gauleses, que capitularam diante do poder militar do führer, mas estava decidido a continuar lutando para libertar a França do jugo nazista. Nas suas "Mémoires", o próprio De Gaulle definiu sua situação naquele momento, em Londres: "Quanto a mim, eu não era nada ao partir. Na França, nenhuma receptividade e nenhuma notoriedade. No estrangeiro, nem crédito, nem justificativa. Mas esta mesma situação traçava minha linha de conduta. Esposando a causa da salvação nacional, poderia encontrar a autoridade. Agindo como o guerreiro inflexível da Nação e do Estado é que me seria possível agrupar entre os franceses o consentimento, o entusiasmo, e obter dos estrangeiros o respeito e a consideração. Em resumo, por mais limitado e solitário que fosse, e justamente porque o era, eu devia ganhar as alturas e delas não descer jamais."

O general foi acolhido por Churchill que, na ausência de outro militar francês de maior patente, ofereceu a ele o apoio suficiente para começar o trabalho de reunir cidadãos tricolores exilados e refugiados e, mais tarde, os oficiais abrigados nas colônias do país pelo mundo, ocupando a posição de líder dos franceses na luta contra a ocupação nazista. Com a visão de estadista que já possuía, logo pediu a Churchill acesso à BBC para se dirigir a seu povo, conclamando-o à resistência e dando o primeiro passo para fixar sua ascendência sobre a França não-colaboracionista.

Foi com esse discurso comovido - batizado de "Apelo aos Franceses" - que De Gaulle avisou ao mundo que sua nação resistiria. E pediu à população que havia ficado do outro lado do Canal da Mancha que não perdesse a esperança, porque a França seria, sim, libertada (sua mensagem rendeu-lhe uma condenação à morte, sentença que lhe foi comunicada pela Embaixada do país em Londres, em 30 de junho). Ficou combinado com Churchill que o militar falaria pela BBC tão logo a França assinasse o armistício com a Alemanha. No dia 18 de junho, o Marechal Pétain pediu a trégua e De Gaulle ocupou os estúdios da célebre emissora britânica para entrar para a história.

"Os chefes que há muitos anos comandam o exército francês formaram um governo. Este governo, alegando a derrota de nossas forças armadas, pôs-se em contato com o inimigo para por fim ao combate. É certo que fomos, e estamos, submergidos pela força mecânica terrestre e aérea do inimigo.

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