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A única maneira de guardar um segredo é nada falar sobre ele.

Francisco Ferraz
Publicado em: 12/04/2017

A sentença é radical. Seus termos não admitem concessões ou interpretações. Se é um segredo, a única forma de guardá-lo é calar sobre ele. O que significa não falar a seu respeito e não comentar coisa alguma com ninguém. Um segredo é uma informação privilegiada. Mas só enquanto permanecer sob sigilo. O que caracteriza este dado é que, uma vez conhecido, seus desdobramentos escapam do seu controle. Se um legislador possuir uma informação sigilosa sobre seu adversário, poderá escolher, de acordo com sua conveniência, o momento e a forma de torná-la conhecida. Se a mesma informação deixar de ser confidencial - ainda que para poucos - tanto o momento como a forma de difundí-la não estarão mais ao seu alcance.

Todo setor legislativo trabalha com muitas informações privilegiadas. A maioria delas surge como boatos, indicações imprecisas e não confirmadas. Outras, ainda que procedentes, não possuem importância estratégica suficiente para serem tratadas como algo confidencial. Poucas, muito poucas, se qualificarão como matérias absolutamente sigilosas. Estas - é fundamental que se insista - não dizem respeito, necessariamente, aos adversários.

Por vezes, podem, até mesmo, referir-e ao próprio legislador. Para elas, a regra é absoluta: não falar nada a ninguém. Tanto no caso de fatos sobre o adversário (para preservar a liberdade de escolha do timing e da forma de difundi-la), como nas informações sobre o legislador (a fim de estar preparado para explicá-la de forma cabal e convincente, quando se tornar pública).

O segredo queima por dentro. É por isso que a pessoa que o detém fica sujeita a uma forte tentação de compartilhá-lo com alguém de sua absoluta confiança. É humano, é compreensível, mas também é verdade que aquela pessoa tão confiável também tem outra em quem confia muito. E assim sucessivamente. Se o segredo tratar de uma questão que poderá ser explorada no futuro, chegará o momento em que deverá ser compartilhado com aqueles que vão discutir a sua validade ética e estratégica, bem como com os que vão operacionalizar a sua divulgação. Esse momento deve ser deixado para a undécima hora antes de sua divulgação e o fato precisa ser revelado apenas àqueles cuja opinião é estritamente necessária. Controlando o tempo adequado para que a matéria deixe de ser um conhecimento exclusivo e selecionando cuidadosamente quem deve saber, minimizam-se os riscos de vazamento.

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Tenho apresentado algumas matérias deste site a possíveis candidatos e observado o quanto ele é uma ferramenta forte para o conhecimento e o aprendizado. Parabéns a toda a equipe de Política para Políticos.

Paulo Henrique Marçal
Brasília - DF

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