Uma casa dividida contra si mesma não pode subsistir

Francisco Ferraz
Publicado em: 22/08/2017

A frase de Abraham Lincoln (citando a Biblia - Mateus 12:25) é dramática porque se referia à Guerra Civil americana, na qual os americanos dividiram-se em dois blocos (o Sul escravocrata e o Norte abolicionista), formaram exércitos e iniciaram uma guerra brutal entre irmãos e dentro do seu próprio território. Ela contém igualmente um alerta para o grau de intensidade de conflito político que uma sociedade pode suportar.

Qualquer sociedade acomoda no seu interior uma peculiar combinação de conflito e consenso, e os meios institucionais para resolver as diferenças. Numa sociedade democrática, a maior parte dos conflitos políticos é dirigida para o processo eleitoral. Nele, as visões conflitantes sobre a sociedade, o governo e a administração pública, e sobre as personalidades que encarnam as diferentes propostas, confrontam-se perante a opinião pública que, pelo voto livre, decide qual deve ser a vencedora.

As eleições são, a um só tempo, o instrumento institucional para a expressão do conflito entre partes da sociedade (daí o termo partido), e para a resolução do conflito pela livre decisão dos cidadãos. Na medida em que as eleições são livres e seu resultado é acatado pelos derrotados, elas se tornam uma instituição que produz consenso.

O problema não está na existência do conflito. Ele é inerente ao próprio conceito de sociedade. O problema reside no tipo de conflito e no grau de intensidade que atinge. Há um tipo de conflito (ao qual Lincoln se refere na citação) que é radicalmente incompatível com a democracia, e cuja dinâmica destrói os próprios fundamentos da sociedade.

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