Cada vez que nomeio alguém para um cargo, faço 100 pessoas descontentes e crio um ingrato

Francisco Ferraz
Publicado em: 16/12/2016

Louis XIV, o Rei Sol, o construtor de Versalhes, que reinou por 72 anos, tinha uma corte numerosa, composta de aduladores ambiciosos em busca do poder e da riqueza. Seu reinado foi esplêndido e em torno de sua pessoa construiu-se o "mais moderno" trabalho de produção de imagem do período pré-moderno.

Não surpreende, pois, a sua queixa. Nada era mais cobiçado, e com mais "engenho e arte" procurado pelos cortesãos, do que uma nomeação real. Era o símbolo do prestígio, provindo da única fonte inabalável de prestígio existente na França: o Rei. O problema que a citação de Louis XIV suscita, entretanto, não está limitado à sua época e à sua corte.

Ao longo do tempo, os mais diferentes governantes têm descoberto que o poder de nomear, o poder da "caneta", gera mais descontentamentos do que satisfações. O poder de nomear implica no poder de escolher, o que, por sua vez, não pode ocorrer sem o exercício da exclusão.

Os cargos sempre serão em menor número que as ambições. Ambições, por sua vez, definem objetivos (cargos específicos), criam expectativas e usam os meios ao seu alcance para lograr sucesso. A escolha do governante, portanto, sempre vai frustrar mais expectativas do que gratificá-las. A questão é ainda mais delicada quando se considera que as pessoas que ambicionam os cargos são aliados e amigos do titular do governo. Em suma, os 100 descontentes de Louis XIV são 100 amigos, auxiliares ou aliados que se sentiram pessoalmente preteridos pelo chefe.

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Opinião do leitor

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