10 questões prioritárias para resolver na passagem de "modo de eleição" para "modo de governo" (I)

Francisco Ferraz
Publicado em: 15/11/2016

Na verdade, este princípio contém dentro dele a seguinte advertência: "O que ajudou na eleição tende a prejudicar no governo". A questão da passagem de "modo", portanto, é bem mais séria e urgente do que poderia parecer a uma consideração superficial. Eleição e governo são realidades diferentes (é óbvio) e que exigem diferentes estratégias e mudanças de comportamento (nem tão óbvio). Vamos enunciar 10 questões que balizam esta mudança e que devem se constituir na preocupação imediata do governante ou legislador eleito.

A campanha eleitoral é sempre dirigida a uma parcela do eleitorado, quantitativamente expressiva, a ponto de poder eleger o candidato, mas sempre uma parte. A candidatura é uma entre outras, o partido é intrinsecamente uma parte da opinião política organizada e a estratégia de campanha foca seus esforços numa parte do eleitorado, desprezando os eleitores fixos de outros candidatos.

Ao ser eleito o governante é governante de todos. Agora representa o todo, não mais a parte. Seu governo, seus auxiliares, seu discurso, seus comportamentos, devem exteriorizar esta nova condição em que se encontra: a de governar/legislar para todos. Não é fácil esta parte da metamorfose. Abrir-se para os "outros" significa deixar o terreno conhecido e confiável da sua "parte" para ingressar no território do "inimigo". Seus companheiros da sua "parte" lutaram e ganharam. Agora, querem mandar, governar. Poderão ter pouca compreensão para as concessões, transigências e acordos que você vai precisar fazer para governar. A linguagem de combate deve ceder espaço à linguagem da união e da conciliação. Finalmente, esta é uma parte da metamorfose que não pode tardar. Começa tão logo você é eleito, nos seus primeiros pronunciamentos.

Eleito você torna-se vitrine. Adquire as vantagens da condição junto com os riscos de tornar-se alvo dos "estilingues de plantão". Durante a campanha, você propôs, talvez mesmo, tenha avançado além do que a prudência recomendaria para se eleger. Durante a campanha você atacou o governo em exercício e mostrou suas falhas, seus erros, sem nunca se preocupar em analisar mais detidamente se não havia razões fortes o bastante para explicá-los, desculpá-los, ou, pelo menos, para reconhecer atenuantes. Não. Você foi terrível. Apontou os erros, identificou responsáveis, mostrou as terríveis conseqüências, imputou irresponsabilidades e incompetências.

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