Use a cabeça: cerque-se de assessores inteligentes

Francisco Ferraz
Publicado em: 18/01/2017

A citação refere-se a uma regra da prudência política de grande e venerável tradição. Ela faz parte do que se chamava, sobretudo nos séculos 16, 17 e 18, de "a educação do príncipe". Essas obras formavam um corpo de conhecimentos voltado ao aconselhamento e à advertência aos governantes, escrito por sábios de imensa cultura histórica e especial sensibilidade para o lado prático e real da política. Os jesuítas - e, de maneira geral, os religiosos - talvez tenham sido os principais responsáveis por essa literatura política, embora não exclusivamente.

O conselho contido na citação, alerta para o fato de que, não sendo possível governar sozinho, o governante deve procurar cercar-se de auxiliares qualificados. A advertência fazia sentido na época, porque havia o risco, sempre presente, de o monarca pretender exercer seu poder absoluto de forma individual e arbitrária. A tradição do pensamento político ocidental sempre execrou a tirania e o despotismo.

Qual a lição que podemos extrair desta expressão para o nosso tempo? Em primeiro lugar, devemos entender o conceito de inteligência mais amplamente. Os atributos pessoais que hoje em dia correspondem ao termo, à época de Gracián eram outros. Não se restringem também à mera qualificação técnica. Não se contesta hoje que as diferentes áreas de conhecimento, usadas numa campanha eleitoral ou no governo, sejam ocupadas por indivíduos que possuem muito mais informação e experiência do que aquele que os escolhem para assessorá-lo.

A advertência deve alertar-nos para o fato de que o candidato e, com mais razões, o governante, deverão tomar algumas decisões-chave na escolha de seus auxiliares. Em torno de cada candidato – como um projeto de poder -, e de cada governante – como a realidade do poder -, orbitam pessoas de variada conformação moral, intelectual, política ou profissional. Na seleção dos auxiliares, na atribuição de funções e, acima de tudo, na delegação de autoridade, o político toma aquela que talvez seja a mais importante das suas decisões.

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