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Nunca confunda autoproteção com isolamento

Francisco Ferraz
Publicado em: 03/12/2015

O poder é solitário. Fundamentalmente porque a responsabilidade pelo seu exercício é radicalmente individual. O governante pode ter tantos auxiliares quanto desejar, pode delegar-lhes poderes, mas, perante a lei, continua sendo o responsável legal. Além dessa razão básica, o poder conduz à solidão porque, ao conferir autoridade e superioridade hierárquica, afasta seu detentor das pessoas comuns, que não se sentem autorizadas a se aproximar da autoridade e privar de sua companhia sem que sejam convidadas. De outra parte, a autoridade preserva uma cuidadosa distância para salvaguardar seu "mistério" e evitar os riscos de uma excessiva facilidade de acesso. Por essas razões, há rígidas regras de protocolo, bem como procedimentos administrativos que regulamentam o acesso do cidadão comum à autoridade pública.

Mais ainda. A autoridade pública possui responsabilidades muito diversificadas que exercem uma grande pressão sobre o seu tempo. Um governante, além das responsabilidades administrativas, possui outras de natureza política, social e cultural, igualmente importantes e indelegáveis, sem esquecer as de natureza pessoal e familiar. Assim, é plenamente compreensível que ele se autoproteja das pressões com o objetivo de reservar espaços de tempo para si mesmo, para pensar, refletir, conversar, planejar, decidir e, também, para garantir um mínimo de lazer, repouso e atenção às questões pessoais e familiares.

O político se elege prometendo aos eleitores que seu gabinete estará sempre aberto para recebê-los, e depois, no poder, busca, de todas as formas, conquistar e preservar espaços de tempo para si. A autoproteção é uma postura que defende e protege o direito do governante ter tempo para pensar, planejar, discutir e decidir antes de agir, o que não se consegue fazer sem a necessária serenidade, privacidade e respeito ao timing correspondente a cada situação ou problema. É legítima, portanto, a atitude de autoproteção adotada. Sem ela, o líder dificilmente poderia governar com eficiência. Completamente diferente nas suas origem e conseqüências é o isolamento.

Este é um erro muito grave, que costuma ser politicamente fatal. Não importa a razão que leva o governante a se isolar. Seja por soberba, arrogância, preguiça, conforto ou mesmo zelo pelo trabalho, as conseqüências políticas costumam ser as mesmas: desgaste da imagem, afastamento da realidade, perda de sensibilidade às prioridades dos governados. Se até numa ditadura o isolamento produz tais conseqüências, quanto o mais não os produz numa democracia, em que se espera dos governantes respostas às expectativas e interesses dos governados.

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Opinião do leitor

Achei muito interessante a abordagem do site sobre os assuntos de pré-campanha e a da campanha propriamente dita. Um abraço.

José Raimundo Lobato Pereira
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