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O golpe de estado de 18 brumário: o discurso de Napoleão Bonaparte

Francisco Ferraz
Publicado em: 26/02/2016

Em 1795, os sobreviventes da Convenção, que sancionara os excessos de Robespierre, tornaram-se o alvo do movimento contra-revolucionário monarquista. Foram salvos por um jovem general da revolução, Napoleão Bonaparte, que adquiriu fama por defender os princípios da revolução e mandar atirar contra os monarquistas.

Ainda em 1795, a Convenção, que até então conduzira a revolução, foi substituída pelo Diretório, com funções executivas e composto por cinco membros. O Legislativo tornou-se bicameral, integrado pelo Conselho dos 500 e o Conselho dos Anciãos. Entretanto, a instituição falhou no combate à fome e à miséria, gerando um clima de revolta tanto em Paris como nas províncias. Enquanto isso, o jovem general Bonaparte colhia vitórias na Itália e no Egito, transformando-se no homem mais popular da França antes ainda de completar 30 anos. O abade Emmanuel Joseph-Sieyès, que integrava o Diretório, propôs a Napoleão a realização de um "golpe de estado". Enquanto o religioso supunha que usaria o militar para seus propósitos, o jovem general percebeu que aquela era a sua chance para conquistar o poder. Em 9 de novembro de 1799 (18 brumário no calendário da Revolução), Napoleão foi sozinho ao Conselho dos 500 enfrentar a bancada de parlamentares hostis.

Conta-se que, diante da turba enraivecida de parlamentares, ele teria se perturbado a tal ponto que quase desmaiou, sendo salvo por seu irmão Luciano, presidente da reunião, que mandou retirá-lo do plenário. Como se verá no discurso de Napoleão, não é esta a versão que ele apresenta. De qualquer forma, o resultado daquele encontro foi a substituição do Diretório pelo Consulado, composto por três cônsules, Sieyès, Pierre Roger-Ducos e Napoleão, que logo seria o ditador.

A França, extenuada pelas guerras externas e revoluções internas, ansiava por tranqüilidade e ordem, sem abdicar das conquistas da revolução. Napoleão, "o soldado da liberdade, e o cidadão devotado à República", lá estava, pronto para dar aos franceses o que tão intensamente desejavam. O golpe inaugura também uma forma peculiar de governar que vai criar tradição na França e imitação no mundo: o bonapartismo, em que o governante supremo oblitera todas as formas de organização política intermediárias e governa numa relação direta com o povo.

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