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Capa > Mandato > Leis do Poder

Fale pouco e cultive uma calculada imprevisibilidade

Francisco Ferraz
Publicado em: 17/09/2015

O poder sempre carrega uma aura de mistério. Em todos os tempos, em todas as civilizações, o detentor do poder separa-se do comum dos mortais por símbolos, procedimentos especiais, prerrogativas, trajes e moradias diferenciadas e exclusivas, regulamentação rigorosa do acesso a ele, tudo isto e muito mais, conforme a sociedade, para assinalar a sua pré-eminência, sua hierarquia superior, sua maior importância.

Ao longo da história, mesmo indivíduos que conquistavam o poder insistindo na sua igualdade com as pessoas comuns, uma vez nele instalados, submetiam-se às regras da "sacralização" do poder que neles estava investido.

É este processo de "sacralização do poder" - que não necessita possuir uma base religiosa - que, ao afastar o governante do "convívio" com os governados e conferir-lhe a posição "sui generis" que desfruta, introduz aquele elemento de "mistério" em torno de sua pessoa.

À sua pré-eminência corresponde a deferência; à hierarquia superior o respeito e obediência; ao mistério uma suspense continuada sobre suas intenções e ações, que às vezes transforma-se em temor.

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